sábado, abril 4

CONTRATO NA SAÚDE. Em Juazeiro do Norte, Relatório aponta prejuízo de R$ 176,6 mil causado pelo do Instituto Heitor Coelho (IHC)

Foto: Divuilgação

Controladoria-Geral identifica irregularidades do IHC em Juazeiro do Norte

A Controladoria-Geral de Juazeiro do Norte finalizou, no dia 16, o relatório da Investigação Preliminar Sumária (IPS), que apura irregularidades no contrato do Instituto Heitor Coelho (IHC) com a Secretaria de Saúde (Sesau) do Município. Suspenso desde setembro, o contrato tem sido alvo de investigação, também, pela Polícia Civil de Juazeiro do Norte.

Segundo o relatório, há indícios de pagamentos indevidos e fraudes contratuais, que teriam causado prejuízo estimado em R$ 176,6 mil aos cofres públicos. Foram identificadas a cobrança duplicada de serviços, a inclusão de procedimentos não contratualizados, valores incompatíveis com o tempo de terapia e falta de comprovação de execução. O relatório recomendou a abertura de Processo Administrativo de Responsabilização (PAR), para apurar a responsabilidade de pessoas jurídicas pela prática de atos lesivos contra a administração pública. O novo procedimento terá prazo de 180 dias, prorrogável pelo mesmo período, para aprofundar a apuração da Controladoria.

Se confirmadas as denúncias, o IHC pode sofrer sanções como aplicação de multas e impedimento de licitar com entes públicos. O controlador do município, José Maria Pontes, responsável pela apuração, disse que o processo entra na sua segunda fase e que,va etapa vai aprofundar apuração da Controladoria por isso, não seria possível fazer qualquer juízo de valor. “Há muitos indícios de autoria e materialidade, mas é necessário esperar o resultado do processo de responsabilização”, disse. Ainda segundo o secretário, nesta etapa, serão garantidos o direito à ampla defesa e o contraditório.

Em nota publicada em agosto e pronunciamentos da Câmara de Vereadores, a direção do IHC contesta a suspensão do contrato. A entidade, que atendia cerca de 450 famílias, reclama de redução contratual, assinado em junho deste ano, com corte de 50% em relação a 2024. O contrato teria saído de R$ 268,8 mil para R$ 134,4 mil, sem redução de atividades. A diminuição teria comprometido os serviços.

Sobre os pacientes que eram atendidos pelo IHC, a Sesau informou que 382 já teriam sido remanejados para outras clínicas conveniadas. A Secretaria afirma que os encaminhamentos estão garantindo a continuidade das terapias, após triagem no Núcleo de Atenção à Criança e ao Adolescente com Transtorno do Espectro Autista(Nutea).

O prefeito Glêdson disse que a investigação está sendo acompanhada pela Polícia Civil e Ministério Público do Estado (MPCE). “Nós temos a obrigação de fazer a investigação interna e não podemos repassar recursos para o instituto investigado. Requeremos informações, umas foram entregues, outras não,” disse.

Entenda o caso:

O Instituto Heitor Coelho iniciou o contrato com o Município em 2022, para serviços de habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Foram dois contratos firmados no período e ambos são alvos da investigação. As denúncias contra o IHC foram registradas em junho, após queixas anônimas diretamente ao Gabinete do prefeito  Glêdson Bezerra.

O caso ganhou repercussão após uma ação da Guarda Civil Municipal, em 12 de junho, em que dois servidores da Secretaria de Saúde teriam sido flagrados recebendo R$ 20 mil de uma dirigente do Instituto, no caso a presidente Rosemeire de Lima Gomes. Segundo relatório da Guarda Municipal, o dinheiro seria parte de uma propina de R$ 60 mil, paga mensalmente pelo Instituto aos servidores. Os funcionários foram afastados e o caso passou a ser investigado, também, pela Polícia Civil.

Na época, a presidente Rosemeire de Lima contestou a versão dos agentes da Guarda Municipal, garantindo ter sido vítima de uma abordagem abusiva por parte de agentes, ao tentar entregar o dinheiro a prestadores de serviço da entidade. Para a entidade, a suspensão do contrato afronta a Lei de Processo Administrativo e a nova Lei de Licitações (nº 14.133/2021), que garantem ampla defesa e contraditório em processos administrativos.

*Conteúdo do Jornal do Cariri

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