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Evento reuniu fiéis, vaqueiros e famílias neste domingo (25), fortalecendo a devoção popular e a identidade cultural do povo caririense
CRATO. Neste domingo, 25, o município do Crato foi palco da 111ª edição da Romaria da Santa Cruz da Baixa Rasa, um dos eventos religiosos mais tradicionais da região do Cariri. A romaria, que reúne fé, cultura e memória coletiva, atraiu fiéis, vaqueiros e famílias inteiras, reafirmando seu papel como patrimônio simbólico da religiosidade popular.
A origem da devoção remonta a décadas atrás, quando um vaqueiro, vindo do estado de Pernambuco, perdeu-se na Chapada do Araripe. Seu espírito passou a ser reverenciado pelos moradores da região, tornando-se símbolo de fé. Em 1914, durante uma peste que ameaçava o Cariri, Vó Pretinha fez uma promessa à cruz do vaqueiro, alcançando a graça pedida. Desde então, a Romaria da Baixa Rasa atravessa gerações, mantendo viva a devoção e fortalecendo a espiritualidade do povo caririense.
Com o passar dos anos, a romaria foi se consolidando e passou a integrar oficialmente o calendário festivo do Crato. Atualmente, a Prefeitura do Crato participa ativamente da organização do evento por meio de diversas secretarias municipais. A área da Saúde esteve presente com ações de Vigilância Sanitária, realização de testes rápidos de glicemia, aferição de pressão arterial e disponibilização de ambulância para atendimento emergencial.
Outras pastas também contribuíram para o sucesso da romaria, como a Secretaria de Cultura, com apresentações culturais; os Serviços Públicos, responsáveis pela limpeza do espaço; o Meio Ambiente, com ações de bem-estar animal e cuidados com os cavalos; além da segurança, garantida pelo Demutran, Guarda Municipal e apoio da Polícia Militar.
Para o padre Édson, celebrante da missa realizada na Baixa Rasa, o evento representa uma profunda experiência de fé. “É uma experiência de piedade e adoração. Começou com a devoção de uma senhora e, com o tempo, se concretizou ao ponto de se tornar um evento tão grandioso, um marco de incentivo à cultura do sertão. Participar desse momento é gratificante, pois fortalece os vínculos e a partilha entre os sertanejos”, destacou.
O vaqueiro Inaldo Amorim, um dos organizadores da romaria, ressalta o caráter familiar da tradição. “Cresci admirando a festa e hoje trago meus filhos e netos desde pequenos. É um momento de reencontro com amigos. Quando chega a data, é como realizar um sonho”, afirmou.
Reconhecida por sua relevância histórica, cultural e religiosa, a Romaria da Santa Cruz da Baixa Rasa é resultado do esforço coletivo de uma grande equipe e permanece como um dos maiores legados culturais do Crato, preservando a memória, a fé e a identidade do sertão.
