
Francisco Ítalo Cezar de Oliveira foi preso por envolvimento na morte do pai Antônio Lopes de Araújo, de 65 anos, em Mauriti. — Foto: Reprodução. Vítima foi executada em estrada vicinal e polícia descobriu plano macabro arquitetado pelo filho após o enterro
Redação – Agência Caririceara.com
Um crime brutal e cercado de mistério chocou os moradores de Mauriti nesta segunda-feira (25). O assassinato do idoso Antonio Lopes de Araújo, de 65 anos, conhecido como “Antonio de Ana”, inicialmente tratado como latrocínio, acabou revelando uma trama familiar aterrorizante. O caso se transformou em um verdadeiro crime de parricídio após a polícia descobrir que o próprio filho da vítima teria planejado a execução.
O homicídio aconteceu por volta das 11h30min em uma estrada vicinal do Sítio São Sebastião, no Distrito de Buritizinho. Antonio seguia em um carro vendendo produtos de limpeza ao lado do filho Francisco Ítalo Cezar de Oliveira, de 45 anos, quando o veículo foi interceptado por dois homens encapuzados ocupando uma Fiat Strada branca. Segundo o relato inicial, os criminosos anunciaram um assalto, recolheram pertences e, em seguida, atiraram contra o idoso, que morreu ainda no local.
Policiais militares estiveram na cena do crime e ouviram o filho da vítima, única testemunha ocular do assassinato. Na ocasião, Ítalo confirmou a versão do assalto e disse que os suspeitos fugiram logo após os disparos. Entretanto, o desenrolar das investigações passou a levantar suspeitas sobre a verdadeira motivação do homicídio.
Durante depoimento posterior na Delegacia Municipal de Mauriti, surgiram informações de que Antonio Lopes havia sido testemunha ocular de um homicídio ocorrido no mês passado em Parambu, cidade onde residia. Ainda conforme o relato, o idoso já teria sofrido uma tentativa de homicídio recentemente e, temendo ser morto, decidiu fugir para morar com o filho em Milagres.
Antonio estava vivendo na casa de Ítalo, localizada no Conjunto da Chesf, Bairro Eucaliptos, em Milagres. Porém, horas após o enterro do pai, a investigação tomou um rumo surpreendente. Por volta das 21 horas, equipes do RAIO foram até a residência de Ítalo para aprofundar os questionamentos. Segundo a polícia, ele acabou confessando ter encomendado a morte do próprio pai.
De acordo com os militares, Ítalo afirmou que tinha “atritos” com Antonio e alegou que mandou matar o genitor “para não morrer”. Ainda segundo a confissão, ele teria prometido pagar R$ 3 mil aos executores após o velório e sepultamento da vítima. O plano incluía levar o pai até o Sítio São Sebastião e simular um assalto para despistar as investigações.
Após receber voz de prisão, Ítalo acompanhou os policiais até a residência de José Rômulo de Sousa Vasques, de 37 anos, conhecido como “Dedé de Alcides”, apontado como o executor dos disparos. O suspeito não foi localizado e segue foragido.
Na sequência, os agentes foram até a casa de Cícero Moreira de Sousa, de 42 anos, no Sítio Marcela, também em Mauriti. Em frente ao imóvel estava o Fiat Strada, placa RNW-0B05 utilizada no crime. Já em um matagal por trás da residência, os policiais encontraram uma espingarda calibre 20, uma munição intacta e uma balaclava, materiais que teriam sido usados na execução.
Cícero confessou participação no caso, mas afirmou que apenas dirigiu o veículo, levando “Dedé de Alcides” até o local para cometer o assassinato. Já na Delegacia Regional de Polícia Civil de Brejo Santo, tanto Ítalo quanto Cícero optaram por permanecer em silêncio durante os interrogatórios. A polícia segue em diligências para localizar o suspeito foragido e aprofundar as investigações sobre o crime que abalou a região do Cariri.
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