sexta-feira, outubro 2

Pesquisa do IFCE analisa riscos à saúde e ao meio ambiente enfrentados por catadores de recicláveis

Foto: Divulgação

Estudo realizado em Iguatu aponta precarização do trabalho, ausência de equipamentos
de proteção e reforça a importância social e ambiental dos catadores no manejo de
resíduos sólidos

O trabalho de catadores e catadoras de materiais recicláveis, essencial para a gestão de
resíduos e para a preservação ambiental, ainda é marcado por precarização, insegurança e
riscos constantes à saúde. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa desenvolvida no
campus de Iguatu do Instituto Federal do Ceará (IFCE), que investigou as condições de
trabalho enfrentadas por profissionais que atuam no lixão do município.

A pesquisa foi coordenada pela professora Adriana Alves da Silva, do bacharelado em
Serviço Social, e contou com a participação da bolsista Maria Tereza de Sousa Barros e das
estudantes voluntárias Maria Eduarda Oliveira e Silva e Maria Simone Alves Santos. Com
abordagem qualitativa, o estudo foi realizado entre outubro de 2024 e agosto de 2025 e
acompanhou a rotina de 30 catadores e catadoras do bairro Chapadinha, em Iguatu, por
meio de observações de campo, questionários e entrevistas. Os resultados revelaram um
cenário de alta vulnerabilidade, marcado por acidentes com objetos cortantes, contato
com substâncias tóxicas, doenças respiratórias, musculares, intestinais e problemas de
coluna decorrentes do esforço físico excessivo.

A pesquisa também identificou situações de insegurança alimentar, como o consumo de
alimentos encontrados durante a coleta, além da ausência de equipamentos de proteção
individual e de condições adequadas de trabalho. Segundo relato de um dos participantes
identificado como RSC, o adoecimento representa ameaça direta à sobrevivência das
famílias: “Se adoecer morre, morre de fome, porque não tem outro jeito”.

Apesar das condições adversas, o estudo destacou a relevância ambiental e social
desempenhada pelos catadores: cerca de 90% dos materiais recicláveis que chegam às
indústrias passam inicialmente pelas mãos desses trabalhadores, que exercem papel
decisivo na redução de resíduos e na preservação de recursos naturais.

Além da produção acadêmica, a pesquisa buscou sensibilizar a sociedade sobre educação
ambiental, descarte correto de resíduos e valorização do trabalho dos catadores. O projeto
também promoveu articulações com instituições públicas, como a Secretaria Municipal de
Meio Ambiente (SEMA) e o Consórcio Regional de Resíduos do Alto Jaguaribe, visando
fortalecer a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis (ASCMARI) e fomentar
estratégias para garantir mais segurança, inclusão social e dignidade aos trabalhadores.

Outro desdobramento da iniciativa foi a publicação do livro Questão ambiental, serviço
social e desafios humanitários: semeaduras desde o Ceará, lançado pela Editora IFCE. A
obra reúne artigos sobre questões ambientais, lixões, mudanças climáticas e organização
dos catadores de materiais reutilizáveis na região Centro-Sul do Ceará.

*ASCOM IFCE

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