
Foto e texto: Jornalísta Váléria Alves
Estudo internacional publicado na revista Jama Pediatrics alerta que uma em cada cinco crianças e adolescentes apresentam alguma variação da condição
No desenvolvimento infantil, tudo é novo, estimulante e pode causar estranheza. No momento das refeições, a comida apresenta suas diversas cores, gostos e texturas. Mas a rejeição na hora de comer, quando acontece de forma repetida, impacta o desenvolvimento físico e emocional da criança. Falar sobre os transtornos alimentares na infância é importante porque a alimentação não envolve apenas nutrientes, envolve aspectos comportamentais e familiares.
Mas quando as alterações em hábitos alimentares podem ser caracterizadas como distúrbios? “Os transtornos alimentares se caracterizam por alterações persistentes no comportamento alimentar da criança, com potencial para impactar sua saúde física, seu emocional e seu desenvolvimento. Embora sejam frequentemente associados à adolescência, esses quadros também podem surgir na infância, o que reforça a importância da identificação precoce por parte dos pais e dos profissionais de saúde”, alerta a nutróloga Amanda Dávila, da Hapvida.
Saiba os sinais de alerta e o impacto no comportamento
De acordo com o estudo Jama Pediatrics, 22,4% das crianças e adolescentes entre seis e 18 anos apresentam sinais de possível transtorno alimentar. Embora algumas crianças estejam aprendendo a se expressar, seus comportamentos demonstram quando algo não está bem.
“Entre os principais sinais de alerta, estão a perda de peso sem causa aparente, dificuldades no crescimento e no desenvolvimento, medo excessivo de engordar e comportamentos de ansiedade relacionados à alimentação. Os pais também devem ficar atentos quando a criança demonstra sofrimento durante as refeições, esconde alimentos ou passa a comer escondida. Quando esses comportamentos se tornam frequentes e repetitivos, podem indicar o desenvolvimento de um transtorno alimentar e merecem avaliação especializada”, explica Amanda Dávila.
Quando a dificuldade para se alimentar começa a interferir na rotina e no desenvolvimento da criança, é importante investigar se há algum transtorno alimentar envolvido. Entre eles, está o Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (Tare), caracterizado pela recusa de determinados alimentos devido à textura, ao cheiro, à cor ou até mesmo pelo medo de engasgar. Esse comportamento pode levar a deficiências nutricionais, perda de peso e prejuízos no crescimento. Outro transtorno frequente é a compulsão alimentar, marcada por episódios de ingestão excessiva de alimentos. Nesses casos, a alimentação pode estar associada a fatores emocionais, como ansiedade, tristeza ou estresse.
A família pode contribuir para uma relação saudável da criança com a alimentação
A comida está além da prática alimentar: é construção social, criação de memórias e laços afetivos. Por isso, desenvolver uma boa relação com as refeições faz a diferença no desenvolvimento infantil.
“Os pais devem incentivar hábitos alimentares saudáveis por meio de uma rotina estruturada, servindo de exemplo e oferecendo alimentos sem pressão. Refeições em família e acompanhamento profissional, quando necessário, também são importantes. Além disso, é fundamental evitar forçar a criança a comer, fazer comparações, usar chantagens com alimentos ou rotulá-la de forma negativa, pois essas atitudes podem prejudicar sua relação com a alimentação”, destaca a especialista.
Outras dicas:
-Não associar a alimentação ao corpo bonito, mas sim à saúde.
-Transformar a comida em momento único sem telas e evitar distrações.
-Apresentar pratos com historinhas lúdicas para as crianças.
O tratamento dos transtornos alimentares infantis busca promover uma relação saudável com os alimentos, respeitando as necessidades de cada criança. Como cada caso é único, o acompanhamento deve envolver uma equipe multidisciplinar para garantir o bem-estar e o desenvolvimento saudável do paciente.
