
Foto e texto: Jornalista Valéria Alves
Segundo pesquisa publicada por europeus, avós que vivem com os netos têm 37% de redução da mortalidade
A presença dos netos na rotina dos avós vai além dos momentos de lazer, apoio e carinho. Essa convivência traz benefícios para a saúde física, mental e aumenta a longevidade, contribuindo para um envelhecimento mais ativo, com qualidade de vida e bem-estar para os avós.
A transmissão de valores e experiências são visíveis na dinâmica familiar com os mais novos, “A convivência com os netos favorece um envelhecimento mais ativo e fortalece o bem-estar emocional dos idosos. Esse vínculo desperta sentimentos de pertencimento, utilidade e fortalece a conexão familiar, além de representar a continuidade da história e do legado construídos ao longo da vida “, destaca a Coordenadora de Psicologia da Estácio, Nágela Evangelista.
Ao mesmo tempo em que passam o conhecimento para os seus netos, contando a história, cultura e legado da família, os idosos também recebem novas informações. “Uma relação de benefício mútuo, enquanto os avós compartilham experiências e acolhimento, os netos trazem novidade, curiosidade, oportunidades constantes de aprendizado e adaptação”, explica a profissional sobre a importância da troca de saberes.
Entre jogos, memórias e prevenção de doenças mentais
O relacionamento entre gerações também pode reduzir riscos de transtornos mentais. A convivência entre idosos e netos contribui para a saúde cognitiva ao estimular áreas do cérebro relacionadas à linguagem, memória e atenção.
“Atividades lúdicas favorecem a neuroplasticidade, ajudando a manter o cérebro ativo e podendo contribuir para a prevenção de quadros demenciais. Além disso, esse contato entre crianças e idosos, fortalece o sentimento de utilidade e pertencimento, reduzindo a solidão e diminuindo o risco de depressão, ansiedade e demências” alerta Dra. Isabelle Mendes, geriatra e docente do Instituto de Educação Médica – IDOMED.
Equilíbrio é essencial de ambas as partes para boa convivência e limites
Embora participar da criação dos netos seja motivo de alegria para muitos idosos, assumir responsabilidades excessivas pode gerar sobrecarga física e emocional.
“Precisa ser respeitado o acordo, quando o cuidado se torna responsabilidade excessiva, sem o apoio familiar ele pode gerar ao invés de fator protetivo, estressor, um fato de esgotamento, comprometendo justamente o bem-estar do idoso” alerta a profissional de saúde mental Nágela.
“Os avós desempenham papel importante no cuidado e na convivência com os netos, mas a responsabilidade pela educação e criação deve permanecer com os pais. Como pertencem a outra geração, podem ter visões diferentes e, em alguns casos, interferir na autoridade dos pais, o que pode impactar negativamente a educação das criança”, enfatiza a geriatra.
Bons hábitos, além da convivência familiar, potencializam o envelhecimento saudável
O suporte familiar e social faz toda a diferença na qualidade de vida do idoso, proporcionando acolhimento, amparo e a segurança de saber que pode contar com outras pessoas. No entanto, a qualidade de vida na terceira idade não depende apenas da convivência familiar.
“Além da convivência com os netos, hábitos como a prática regular de atividade física, a estimulação cognitiva por meio de jogos e atividades lúdicas, o aprendizado de novas habilidades, a manutenção de uma alimentação saudável e o controle de doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado contribuem para um envelhecimento ativo e saudável”, alerta a geriatra Isabella.
A especialista destaca que preservar a convivência entre avós e netos vai além do aspecto afetivo. Essa relação ajuda a promover saúde, preservar memórias e fortalecer os laços familiares, ao mesmo tempo em que estimula a autonomia dos idosos e contribui para um envelhecimento mais saudável e feliz.
