
Especialista explica o que o procedimento pode ou não corrigir
*Imagem: Lívia Monteiro
A Harmonização Orofacial (HOF) pode oferecer alternativas para problemas mais complexos, proporcionando resultados funcionais e menos dolorosos. Um exemplo é a mentoplastia, procedimento que remodela a região do queixo (chamada de mento). Apesar da recuperação mais rápida e dos benefícios para a harmonia facial, será que essa intervenção cirúrgica possui caráter funcional ou apenas estético?
A Mordida Aberta Anterior (MAA) está entre as alterações oclusais mais frequentes observadas nos consultórios odontológicos. Essa disfunção pode comprometer as estruturas dentária e esquelética, levando a sintomas como respiração oral, dores ou travamento da mandíbula, enxaquecas e desconforto durante a alimentação, além de favorecer o surgimento de problemas mais graves ao longo do tempo.
De acordo com o cirurgião-dentista Ionaldo Teles, docente do curso de Odontologia do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, a mentoplastia não altera a posição dos dentes nem corrige, por si só, questões funcionais relacionadas à oclusão. “Existem casos em que a cirurgia ortognática é realizada para alinhar as maxilas e corrigir a má oclusão do paciente, mas ainda é necessária a realização de uma mentoplastia para melhorar a estética facial e complementar o resultado final”, explica.
Tanto a mentoplastia quanto a cirurgia ortognática devem ser realizadas após a conclusão do crescimento natural dos ossos da face, o que, geralmente, ocorre entre os 15 e 18 anos de idade. Os problemas de má oclusão são mais frequentes na infância. Nesses casos, aparelhos ortodônticos podem ser utilizados para retardar ou inibir a evolução do problema.
As causas costumam estar relacionadas a diferentes fatores, desde aspectos hereditários até hábitos prejudiciais, como sucção do dedo, uso prolongado de bicos e chupetas, além da respiração oral. Quando não tratada, a Mordida Aberta Anterior pode interferir diretamente na qualidade de vida do paciente e ocasionar problemas mais graves de saúde.
“Quando a má oclusão não é tão severa, o paciente pode não perceber alterações ósseas significativas. Por isso, é importante procurar um profissional qualificado em ortopedia e ortodontia funcional dos maxilares para verificar se existe alguma alteração no crescimento ósseo”, afirma.
Segundo o especialista, mesmo quando utilizada como complemento em tratamentos relacionados à mordida, a mentoplastia tem finalidade predominantemente estética. O procedimento pode envolver preenchimento com ácido hialurônico, enxertos ou implantes para promover maior harmonia facial. Muitas vezes, é indicado como complemento à rinoplastia, bichectomia ou cirurgia ortognática.
“Nesse procedimento, a funcionalidade mandibular não é o principal objetivo, uma vez que o aumento ou redução do mento não interfere diretamente na oclusão dentária, mas apenas no perfil facial do paciente”, declara.
