segunda-feira, setembro 14

Fortaleza tropeça no Ceará, perde chance de subir e vê tabu no Clássico-Rei chegar a 16 jogos

Tricolor domina primeiro tempo, abre vantagem, mas recua na etapa final e sofre empate aos 42 minutos; resultado mantém incômodo jejum diante do maior rival

Redação – Agência Caririceara.com

O Fortaleza deixou a Arena Castelão sob vaias e com a sensação de que desperdiçou uma oportunidade importante na luta pelo acesso à Série A. O empate por 1 a 1 com o Ceará, pela 28ª rodada da Série B, impediu o Tricolor de assumir a vice-liderança e prolongou um tabu que já atravessa quatro anos: são 16 jogos sem vencer o maior rival.

O resultado teve um gosto ainda mais amargo pela maneira como a partida se desenrolou. O Fortaleza controlou boa parte do primeiro tempo, criou as principais oportunidades e saiu na frente. Mas, em vantagem, recuou as linhas, perdeu força ofensiva e voltou a sofrer com um problema recorrente: a dificuldade para transformar domínio em resultado.

A equipe de Paulo Autuori repetiu, em parte, o roteiro visto nos confrontos com São Bernardo e Operário, quando também deixou pontos pelo caminho dentro de casa. O clássico, porém, carrega um peso diferente. A sequência sem derrotar o Ceará já se tornou um problema que ultrapassa treinadores e elencos.

Autuori é o quarto técnico a tentar encerrar o jejum sem sucesso.

O Fortaleza apresentou no primeiro tempo uma atuação compatível com a posição que ocupa na tabela. Mais organizado, controlou o meio-campo e encontrou espaços na defesa adversária.

Pedro Henrique, Rodriguinho e Maílton foram os principais nomes do Tricolor na etapa inicial. Em uma boa troca de passes, Pedro Henrique recebeu em condição para finalizar e quase abriu o placar.

O atacante, porém, não conseguiu permanecer em campo. A lesão ainda no primeiro tempo obrigou Autuori a promover a entrada de Paulo Baya — mudança que alterou a dinâmica do ataque tricolor.

Baya teve participação direta no gol do Fortaleza. O atacante encontrou espaço na defesa do Ceará e serviu Vitinho, que aproveitou a oportunidade para colocar o Tricolor em vantagem.

A assistência, entretanto, não apagou os problemas apresentados pelo jogador na sequência. Na etapa final, Baya desperdiçou boas possibilidades e tomou decisões equivocadas quando recebeu a bola dentro da área.

A responsabilidade pelo empate, porém, não pode ser colocada exclusivamente sobre o atacante.

Depois de abrir o placar, o Fortaleza optou por uma postura mais conservadora. A equipe recuou as linhas e passou a apostar nos contra-ataques para tentar matar o jogo.

O time conseguiu proteger a vantagem durante boa parte do segundo tempo, mas não teve a mesma eficiência para aproveitar os espaços deixados pelo Ceará. As substituições realizadas por Autuori também não produziram o impacto esperado.

O Fortaleza perdeu presença ofensiva justamente no momento em que precisava controlar o jogo com a bola e manter o adversário distante de sua área.

O roteiro já havia aparecido em outras partidas. Contra Goiás e Avaí, a equipe também sofreu depois de assumir uma postura mais cautelosa, mas conseguiu preservar a vantagem. Contra o Ceará, a história foi diferente.

Aos 42 minutos do segundo tempo, a defesa tricolor finalmente sucumbiu.

Em uma jogada construída pelo Ceará, Melk mostrou qualidade para encontrar espaços e desmontar a marcação. O Alvinegro envolveu o meio-campo e a defesa do Fortaleza com rapidez até chegar ao gol de empate.

O 1 a 1 expôs a fragilidade de uma estratégia que apostava na resistência defensiva, mas que não conseguiu oferecer ao time uma saída consistente para o ataque.

O empate também recoloca em discussão a relação do Fortaleza com o Clássico-Rei.

O discurso da diretoria, de tratar o confronto como mais uma partida na temporada, não parece encontrar correspondência nos resultados. Na prática, o clássico continua sendo um obstáculo que o clube não consegue superar.

São 16 partidas sem vitória sobre o Ceará.

A sequência já alcança o quarto treinador e diferentes gerações de jogadores. A dificuldade, portanto, deixou de ser um problema isolado de determinado comandante e passou a representar uma questão mais ampla dentro do clube.

O desempenho como mandante também preocupa. Sob o comando de Autuori, o Fortaleza conquistou apenas seis dos 12 pontos disputados em casa. O aproveitamento de 50% ajuda a explicar por que o time deixou escapar uma oportunidade de ganhar posições na tabela.

O empate mantém o Fortaleza vivo na briga pelo acesso, mas representa pouco diante da oportunidade desperdiçada.

O Tricolor teve o controle da partida, abriu vantagem e esteve próximo de conquistar uma vitória que teria peso importante na classificação e, sobretudo, no aspecto psicológico.

Terminou, porém, com um ponto e mais uma frustração diante do maior rival.

A torcida fez sua parte durante os 90 minutos, mas deixou a Arena Castelão insatisfeita. As vaias ao final da partida traduziram não apenas a perda de dois pontos, mas a irritação com um roteiro que se repete.

A republicação é gratuita desde cita a fonte.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Agência Caririceara

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo