
Tricolor domina primeiro tempo, abre vantagem, mas recua na etapa final e sofre empate aos 42 minutos; resultado mantém incômodo jejum diante do maior rival
Redação – Agência Caririceara.com
O Fortaleza deixou a Arena Castelão sob vaias e com a sensação de que desperdiçou uma oportunidade importante na luta pelo acesso à Série A. O empate por 1 a 1 com o Ceará, pela 28ª rodada da Série B, impediu o Tricolor de assumir a vice-liderança e prolongou um tabu que já atravessa quatro anos: são 16 jogos sem vencer o maior rival.
O resultado teve um gosto ainda mais amargo pela maneira como a partida se desenrolou. O Fortaleza controlou boa parte do primeiro tempo, criou as principais oportunidades e saiu na frente. Mas, em vantagem, recuou as linhas, perdeu força ofensiva e voltou a sofrer com um problema recorrente: a dificuldade para transformar domínio em resultado.
A equipe de Paulo Autuori repetiu, em parte, o roteiro visto nos confrontos com São Bernardo e Operário, quando também deixou pontos pelo caminho dentro de casa. O clássico, porém, carrega um peso diferente. A sequência sem derrotar o Ceará já se tornou um problema que ultrapassa treinadores e elencos.
Autuori é o quarto técnico a tentar encerrar o jejum sem sucesso.
O Fortaleza apresentou no primeiro tempo uma atuação compatível com a posição que ocupa na tabela. Mais organizado, controlou o meio-campo e encontrou espaços na defesa adversária.
Pedro Henrique, Rodriguinho e Maílton foram os principais nomes do Tricolor na etapa inicial. Em uma boa troca de passes, Pedro Henrique recebeu em condição para finalizar e quase abriu o placar.
O atacante, porém, não conseguiu permanecer em campo. A lesão ainda no primeiro tempo obrigou Autuori a promover a entrada de Paulo Baya — mudança que alterou a dinâmica do ataque tricolor.
Baya teve participação direta no gol do Fortaleza. O atacante encontrou espaço na defesa do Ceará e serviu Vitinho, que aproveitou a oportunidade para colocar o Tricolor em vantagem.
A assistência, entretanto, não apagou os problemas apresentados pelo jogador na sequência. Na etapa final, Baya desperdiçou boas possibilidades e tomou decisões equivocadas quando recebeu a bola dentro da área.
A responsabilidade pelo empate, porém, não pode ser colocada exclusivamente sobre o atacante.
Depois de abrir o placar, o Fortaleza optou por uma postura mais conservadora. A equipe recuou as linhas e passou a apostar nos contra-ataques para tentar matar o jogo.
O time conseguiu proteger a vantagem durante boa parte do segundo tempo, mas não teve a mesma eficiência para aproveitar os espaços deixados pelo Ceará. As substituições realizadas por Autuori também não produziram o impacto esperado.
O Fortaleza perdeu presença ofensiva justamente no momento em que precisava controlar o jogo com a bola e manter o adversário distante de sua área.
O roteiro já havia aparecido em outras partidas. Contra Goiás e Avaí, a equipe também sofreu depois de assumir uma postura mais cautelosa, mas conseguiu preservar a vantagem. Contra o Ceará, a história foi diferente.
Aos 42 minutos do segundo tempo, a defesa tricolor finalmente sucumbiu.
Em uma jogada construída pelo Ceará, Melk mostrou qualidade para encontrar espaços e desmontar a marcação. O Alvinegro envolveu o meio-campo e a defesa do Fortaleza com rapidez até chegar ao gol de empate.
O 1 a 1 expôs a fragilidade de uma estratégia que apostava na resistência defensiva, mas que não conseguiu oferecer ao time uma saída consistente para o ataque.
O empate também recoloca em discussão a relação do Fortaleza com o Clássico-Rei.
O discurso da diretoria, de tratar o confronto como mais uma partida na temporada, não parece encontrar correspondência nos resultados. Na prática, o clássico continua sendo um obstáculo que o clube não consegue superar.
São 16 partidas sem vitória sobre o Ceará.
A sequência já alcança o quarto treinador e diferentes gerações de jogadores. A dificuldade, portanto, deixou de ser um problema isolado de determinado comandante e passou a representar uma questão mais ampla dentro do clube.
O desempenho como mandante também preocupa. Sob o comando de Autuori, o Fortaleza conquistou apenas seis dos 12 pontos disputados em casa. O aproveitamento de 50% ajuda a explicar por que o time deixou escapar uma oportunidade de ganhar posições na tabela.
O empate mantém o Fortaleza vivo na briga pelo acesso, mas representa pouco diante da oportunidade desperdiçada.
O Tricolor teve o controle da partida, abriu vantagem e esteve próximo de conquistar uma vitória que teria peso importante na classificação e, sobretudo, no aspecto psicológico.
Terminou, porém, com um ponto e mais uma frustração diante do maior rival.
A torcida fez sua parte durante os 90 minutos, mas deixou a Arena Castelão insatisfeita. As vaias ao final da partida traduziram não apenas a perda de dois pontos, mas a irritação com um roteiro que se repete.
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