sexta-feira, maio 15

Excesso de telas afeta a visão e impacta a saúde mental infantil

Risco de miopia e atraso cognitivo e são principais consequências Foto  e texto: Jornalista Valéria Alves

As telas digitais fazem parte do nosso cotidiano, seja para trabalhar, aprender ou por lazer. No caso das crianças,  a exposição prejudica ainda mais aspectos psicossociais e a saúde, pois são mais vulneráveis à exposição digital. De acordo com um estudo realizado pelo Projeto PIPAS (Primeira Infância Para Adultos Saudáveis), em 33,2% dos lares entrevistados, crianças de até 5 anos passam mais de duas horas por dia assistindo a programas ou jogando na TV, no smartphone e/ou no tablet.

Segundo a médica oftalmologista Dra. Thais Callou, PhD e docente do Instituto de Educação Médica – IDOMED, a exposição prolongada às telas por parte das crianças traz prejuízos graves à saúde ocular. Passar muito tempo em frente à TV ou qualquer outro tipo de tela, afeta os olhos causando fadiga ocular, ressecamento da superfície dos olhos (por causa da diminuição da frequência do piscar), e aumenta o risco de miopia.

Além disso, segundo o levantamento da PIPAS, a cognição da criança também pode ser afetada. Uma a cada 4 crianças pode apresentar atraso no desenvolvimento até os 5 anos. A Psicóloga e docente da Universidade Uniruy Wyden, Catiana Nogueira dos Santos, destaca que os principais impactos psicológicos são “os atrasos no desenvolvimento cognitivo, emocional e da linguagem, bem como problemas de saúde e sofrimento mental”. Pois a criança em fase de aprendizado absorve tudo, não tendo o filtro cognitivo e prejudicando suas interações sociais.

Quais sinais de alerta devem ser observados na saúde ocular e no comportamento dos filhos, relacionados ao uso de telas?

Dra. Thais responde que o excesso de tempo em frente às telas pode provocar sinais de cansaço visual nas crianças, e os pais devem ficar atentos a alguns sintomas. Entre os principais sinais de alerta estão o hábito de piscar demais ou esfregar os olhos com frequência, reclamações de ardência, coceira, olhos secos ou sensação de “vista cansada”, além de dores de cabeça após o uso de celular, tablet ou computador. Aproximar muito o rosto da tela, apresentar sensibilidade à luz, visão embaçada, dificuldade para focar, lacrimejamento excessivo e olhos vermelhos depois de longos períodos diante dos aparelhos também podem indicar que a visão está sendo prejudicada.

A psicóloga Catiana ressalta que os pais também devem ficar atentos para perceber as variações sociais das crianças. “ Os sinais mais perceptíveis quando as crianças começam a demonstrar mudanças no comportamento cotidiano, geralmente se destacam em: dificuldades para se concentrar, sono irregular, atraso na fala e irritabilidade excessiva”, alerta.

Como os pais podem reduzir o tempo de telas aos filhos e evitar conflitos no cotidiano?

Diminuir o tempo de tela pode não parecer uma tarefa fácil, mas optar por atividades ao ar livre, como interações sociais e brincadeiras manuais ajudam no crescimento mental e físico das crianças.

Caso os pais optem pela redução gradual do uso de ferramentas digitais, a oftalmologista Dra. Thais orienta: “Utilizar de forma regular colírios lubrificantes prescritos por seu médico. Dar intervalos regulares, ou seja, parar de olhar para a tela por alguns segundos várias vezes, de forma regular e intervalada. Posicionar o fluxo do ar-condicionado e do ventilador para longe dos olhos. Manter a hidratação via oral apropriada. Regular a luz emitida pela tela e preferir os equipamentos na seguinte ordem: TV, computador, tablet e por fim, o smartphone”.

Ela salienta que em caso de vídeo aulas, é importante tentar apenas escutar o conteúdo. Usar óculos com filtros de proteção apropriados e manter a higiene do sono também contribuem para o uso saudável das telas.

Existe um tempo de tela para cada criança?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Academia Americana de Pediatria, o limite do tempo de telas recomendado varia para cada faixa etária para não prejudicar a saúde ocular e mental:

* 0–2 anos: evitar telas (exceto videochamadas)

* 2–5 anos: até 1 hora por dia, com conteúdo de qualidade e supervisão

* 6–10 anos: até 2 horas por dia.

* ⁠11-17 anos: até 3 horas por dia.

A psicóloga Catiana alerta que “este procedimento também serve para filmes e demais programas de televisão que possuem classificação de indicação permitida e também direciona um uso constante de telas. Indico que pais e responsáveis por crianças e adolescentes utilizem um material produzido pelo próprio governo federal que chama: Crianças, adolescentes e Telas, Guia sobre usos de dispositivos digitais que contém informações relevantes sobre estratégias para reduzir o uso de telas e a interação entre familiares” enfatiza.

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