
A depressão pós-parto é uma condição complexa e multifatorial que afeta muitas mulheres. Nos primeiros dias após o parto, cerca de 80% das mulheres podem experimentar alterações emocionais relacionadas, entre outros fatores, às mudanças hormonais e ao cansaço. Contudo, quando esses sintomas persistem por mais de duas semanas, é importante considerar a possibilidade de depressão pós-parto e buscar uma avaliação profissional.
De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Brasil, aproximadamente 25% das mulheres que deram à luz apresentam sintomas de depressão pós-parto, o equivalente a cerca de uma em cada quatro mulheres. O estudo avaliou milhares de mães no período entre seis e dez meses após o parto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência média de depressão pós-parto em países de baixa renda é de 19,8%, enquanto a realidade brasileira apontada pelo estudo ultrapassa esse percentual.
A psiquiatra do Hospital Maternidade São Vicente de Paulo (HMSVP), em Barbalha, Dra. Rosane Soares, explica os principais sintomas da condição: “É importante entendermos que a depressão pós-parto vai muito além de uma tristeza passageira. A mulher pode apresentar tristeza persistente, perda do interesse ou do prazer nas atividades, cansaço intenso, irritabilidade, alterações no sono e no apetite, sentimentos de culpa ou incapacidade, além de dificuldade para se conectar emocionalmente com o bebê.”
A chegada de um bebê é um período de muitas mudanças e, embora seja frequentemente associada à felicidade, também pode trazer importantes desafios emocionais. “Nos primeiros dias após o parto, é comum que a maioria das mulheres experimente maior sensibilidade, choro fácil e oscilações emocionais. É o que chamamos de baby blues ou tristeza puerperal, uma condição passageira desencadeada por alterações hormonais e que melhora espontaneamente em até duas semanas”, explica.
Quando esses sintomas se tornam intensos, persistem por mais tempo ou começam a prejudicar os cuidados da mulher consigo mesma, com o bebê ou com a rotina familiar, é importante procurar ajuda profissional.
Alguns fatores, como alterações hormonais, privação de sono, isolamento, alimentação inadequada, sedentarismo, falta de apoio do parceiro ou da família e histórico de transtornos mentais, podem aumentar o risco ou contribuir para o desenvolvimento da depressão pós-parto. “A depressão pós-parto tem tratamento, e pedir ajuda não significa fraqueza nem amar menos o bebê. Cuidar da saúde mental da mãe também é uma forma de cuidar do bebê e de toda a família”, reforça a médica.
